quarta-feira, 24 de outubro de 2007

VGBL ou PGBL? Eis a questão...

Com as incertezas sobre o futuro da previdência social brasileira é bom pensar, o quanto antes, em um tipo de aplicação que possa garantir recursos para serem desfrutados na aposentadoria. Mesmo porque este é um período no qual a renda diminui e os gastos aumentam, sobretudo com plano de saúde e, claro, com algumas mordomias para quem dedicou a maior parte de sua vida ao trabalho.

Existem vários tipos de investimentos: ações, fundos, renda fixa, títulos do governo, previdência privada e até mesmo poupança. Nem cito aqui os títulos de capitalização, que são a maior roubada. A escolha por um produto financeiro depende do perfil do investidor. Para quem optou por previdência privada, seguem algumas questões sobre os dois planos existentes hoje, o VGBL e o PGBL, que devem ser levadas em consideração.

O PGBL, ou Plano Gerador de Benefícios Livres, oferece planos específicos para cada tipo de investidor. A carteira de investimentos varia desde 100% de renda fixa, até 49% com renda variável, para quem deseja um investimento de maior risco. A grande vantagem dos PGBLs é a flexibilidade, já que o investidor pode transferir seu dinheiro para outro plano ou, até mesmo, outra instituição. Não se exige depósitos periódicos, eles podem ser feitos à medida em que haja recursos disponíveis.

O VGBL, ou Vida Gerador de Benefícios Livres, é mais indicado para autônomos e profissionais liberais, e também oferece possibilidades de acordo com o perfil do investidor. Em ambos os casos não existem garantias de remuneração mínima. A principal diferença entre os dois tipos de planos está na forma como o imposto de renda é cobrado.

O PGBL é adequado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda (IR), já que suas contribuições podem ser deduzidas até o limite de 12% da sua renda bruta anual. Contudo, a alíquota progressiva do imposto incide sobre o total resgatado.

O VGBL se aplica melhor para quem faz a declaração simplificada do IR. As contribuições a estes planos não são descontadas da base de cálculo do IRPF, mas, no momento do resgate, alíquota progressiva incidirá somente sobre os rendimentos.

Independentemente do tipo de plano de previdência privada a ser escolhido o investidor deve ter em mente que se trata de um investimento de longo prazo. Pode ser utilizado não só para aposentadoria como para custear a faculdade dos filhos e garantir a compra de um bem. O que tem que ficar claro - quero reforçar - é que é um investimento de longo prazo. Se você corre o risco de ter que resgatar o dinheiro no curto prazo é melhor nem aplicar, porque as alíquotas do Imposto de Renda Retido na Fonte podem chegar a 22,5%, ou seja, se a rentabilidade do plano for baixa você pode perder quase ¼ do valor aplicado.

Depois de decidido pelo VGBL ou PGBL ainda é preciso ter muita atenção em relação às taxas cobradas pela instituição onde será feita a aplicação, pois elas podem prejudicar o rendimento da carteira. As taxas de carregamento sobre as contribuições mensais e aportes podem chegar a 5%, assim como a taxa de administração. Eu particularmente acho que é tão absurdo quanto a alta carga tributária imposta pelo governo.

Aproveitei que fui ao Banco do Brasil nesta semana para esclarecer esses itens. Lá a taxa de carregamento é de 5% para um fundo de até R$ 12 mil. Entre este valor e R$ 30 mil cai para 3,5%. Depois disso até R$ 50 mil é de 2%. E a partir de R$ 50 mil, 1,5%. Já a taxa de administração é de 2%.

Vamos fazer uma simulação... Uma pessoa tem 25 anos e uma reserva de R$ 4 mil. Deposita R$ 100 ao mês. Então, em 2032, quando tiver 50 anos, teria cerca de R$ 250 mil para resgatar, sem levar em consideração os 15% do IRRF, sobre os rendimentos e não sobre o montante acumulado. Isso, baseado em rendimentos conservadores.

Na minha opinião não é um investimento bom, mas não muito, em termos de rentabilidade. A grande vantagem é que é um recurso debitado automaticamente da conta bancária e a retirada mensal pode passar despercebida. Chegar aos 50 anos com R$ 250 mil, sem doer nada, seria muito útil.