sábado, 28 de julho de 2007

Vivo negocia compra da Telemig Celular

A Vivo Participações S/A, líder no mercado de celulares no Brasil com participação de 28,3%, pode fechar a compra da Telemig Celular, que possui a liderança no Estado (31,1%), além da Amazon Celular, que é do mesmo grupo. No país, a participação de ambas soma 4,53%. Caso a operação se confirme, a Vivo se consolidaria como a maior operadora de telefonia celular do país, com 32,8% de market share. Atrás dela está a Telecom Itália Móbile (TIM), com índice de 25,75%.

Na sexta-feira o mercado havia dado a compra como certa, por cerca de R$ 3,5 bilhões. Contudo, no final do dia a Vivo, sem citar valores, encaminhou comunicado a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) explicando que somente confirma a participação no processo de venda do controle das empresas, que ainda estaria em curso.

"Caso tal processo resulte na venda do controle das referidas sociedades para a Vivo Participações, serão prestadas as informações pertinentes nos termos da lei", informou o diretor de Relações com Investidores, Ernesto Daniel Gardelliano.

A empresa é uma das três que disputavam a compra da Telemig e Amazonia Celular, junto com a Claro, do grupo mexicano America Movil, e a Oi (ex-Telemar). A disputa é acirrada porque o ativo é decisivo para a definição da liderança no mercado brasileiro, já que juntas, as duas operadoras à venda somam 4,8 milhões assinantes. Somente da Telemig Celular, que atua somente em Minas Gerais, inclusive um dos poucos lugares expressivos onde a Vivo não está presente, são 3,4 milhões de clientes.

A Telpart participações S/A, controladora da Telemig e da Amazônia Celular, informou ontem também por meio de comunicado encaminhado à CVM que "efetivamente está promovendo um processo competitivo amplamente divulgado para avaliar oportunidades de desinvestimento relacionado às suas controladas". E, destacou que "a política é de não confirmar e nem negar rumores do mercado", mas que até o momento os acionistas controladores não decidiram se vão efetuar a alienação das controladas.

Caso a venda seja fechada e confirmada, o negócio ainda precisará ser aprovado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

Para o presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais de Minas Gerais (Apimec-MG), Paulo Ângelo Carvalho de Souza, a Telemig Celular só não confirma a venda por causa de uma série de providências que precisa tomar, mesmo porque é uma empresa de capital aberto. "Não é surpresa. O mercado já esperava há muito tempo", afirmou.

"A Telemig Celular, que já foi uma das mais eficientes de Minas, passará a fazer parte da maior empresa de telefonia do país. Ganham o Estado, o consumidor e o acionista", disse, lembrando que uma briga travada entre os controladores - Citibank, Opportunity e fundos de pensão - impedia o crescimento da empresa.

Para o analista da H.H. Picchioni, Juliano Lima Pinheiro, a Telemig Celular é muito sedutora porque Minas é um dos mercados que mais cresce e o ganho de escala, neste momento, faz toda a diferença para os grandes grupos. "O crescimento no mercado significa redução de custo para opera-lo", afirmou.

Conforme ele, para o acionista a empresa fica mais atrativa. "Não que a compra eleve seu valor patrimonial, mas ao passo que se torna maior, tem maior representatividade, o que define o valor de mercado", explicou.

"Estrategicamente, levando em consideração o mapa de cobertura da Vivo, só faltava Minas", enfatizou o analista da Mundinvest, João Lanza. Segundo ele, a formação de grandes players é uma tendência mundial do setor de telefonia.

Ele destacou, porém, que a venda da Telemig Celular não encerra o movimento de união e aquisições de empresas do setor no Estado. "Há uma enorme probabilidade da fusão entre a Telemar (hoje Oi) e a Brasil Telecom. Se isso acontecer, teremos um grande player para concorrer com os grupos internacionais", avaliou.

Nenhum comentário: