segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Uma nova forma de ganhar com papéis de empresas

Saiu na Revista Exame:

A renda fixa ainda pode ser um bom investimento, apesar da queda da Selic, a taxa referencial de juros da economia. Quem quiser ganhar mais dinheiro nesse mercado, porém, deve se preparar para ir além dos tradicionais fundos DI e buscar alternativas mais sofisticadas e, claro, mais arriscadas.

As preferidas dos especialistas consultados pelo Guia EXAME de Investimentos Pessoais são duas aplicações financeiras de nomes nada simpáticos, mas que prometem retornos atraentes: os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), como o próprio nome diz, ligados ao setor da construção, e os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), usados por bancos e companhias de todos os setores. Esses produtos são compostos de títulos que representam contas futuras que uma empresa tem a receber. Um exemplo comum são os empréstimos bancários. Muitos bancos transformam em FIDCs o fluxo futuro dos pagamentos de empréstimos que têm a receber de seus clientes. Depois, vendem esses FIDCs a investidores, que recebem um rendimento periódico. No caso dos CRIs, os melhores exemplos são de construtoras que convertem em títulos os aluguéis e as prestações da casa própria que têm a receber. São investimentos de prazo determinado, que geralmente duram de três a sete anos.

Para o investidor, a vantagem dessas aplicações é a possibilidade de obter retornos superiores aos juros do mercado (a taxa Selic), que estão em 11,25% ao ano. Hoje, a rentabilidade dos FIDCs varia de 12% a 17% ao ano. Já os CRIs costumam pagar juros mais a variação de um índice de inflação - e são isentos de imposto de renda.

Produtos compostos de dívidas de companhias de grande porte, como Ambev, Gafisa e Vale do Rio Doce, são considerados seguros, porque o perigo de inadimplência é baixo. Já as operações das factorings, empresas que compram e administram cheques pré-datados, duplicatas e outros créditos de empresas de pequeno e médio porte, são mais arriscadas. Para ficar a par do risco que corre aplicando nesses produtos, o investidor pode consultar os relatórios das agências internacionais de classificação de risco, como Moody's e Standard & Poor's. Até hoje, porém, nenhum CRI ou FIDC lançado no Brasil apresentou problemas sérios, como deixar de pagar os investidores.

Para o investidor brasileiro, o grande risco dos CRIs e dos FIDCs é a baixa liquidez - ou seja, uma vez que se aplica num desses produtos, é difícil sair antes do vencimento. "É um risco e, por isso, o ideal é aplicar no máximo 10% do patrimônio nesses produtos", diz Betti, da Beta Advisors. Seguir esse limite, no entanto, pode ser um problema. Isso porque a maioria dos CRIs e FIDCs do mercado exige aplicações mínimas elevadas, de mais de 300 000 reais. A boa notícia é que algumas empresas começam a criar produtos mais acessíveis, com investimento mínimo a partir de 10 000 reais.