domingo, 14 de outubro de 2007

Bancos mineiros são alvo de grandes grupos

Fusões e aquisições de bancos internacionais podem abrir uma temporada de caças aos bancos, inclusive em Minas Gerais, celeiro de várias instituições financeiras de pequeno e médio portes. O espanhol Santander, líder de um de um consórcio que tem ainda o Royal Bank of Scotland e Fortis, comprou o inglês ABN e levou o holandês Banco Real. Com isso, passa a ser o segundo maior banco no país em ativos (R$ 221 bilhões), perdendo apenas para o estatal Banco do Brasil (R$ 296 bilhões). Como deixou para trás os até então imbatíveis Bradesco (R$ 213 bilhões) e Itaú (R$ 205 bilhões), os “gigantes” já estão de olho nos “anões”.

O Itaú, por exemplo, está negociando a aquisição do BMG, da família Pentagna Guimarães. Apesar das empresas negarem, o mercado já dá a venda como certa e já aponta negócio da ordem de US$ 3 bilhões. Outros alvos, segundo analistas mineiros, além do BMG, são o Bonsucesso, Mercantil do Brasil, Semear (ex Banco Emblema) e até mesmo o Rural, envolvido no escândalo do mensalão.

Minas já foi um dos principais centros financeiros do país. Ao longo dos anos, muitas instituições transferiram suas sedes para São Paulo e Rio de Janeiro e outras foram incorporadas por conglomerados.

O Estado foi berço de significativas instituições financeiras, como o próprio Banco Real, cuja história começou em meados do século passado com o Banco da Lavoura de Minas Gerais. Em 1971, mudou-se de cidade – São Paulo – e de nome – Banco Real. Em 1998, foi comprado pelo ABN Amro, que em 2003 adquiriu ainda o Sudameris.

O Unibanco também nasceu em Minas, em 1924, por meio de uma carta patente do governo federal do Brasil, que autorizou o funcionamento da seção bancária da Casa Moreira Salles, uma das mais importantes lojas de comércio de Poços de Caldas, fundada por João Moreira Salles, em 1918.

O Unibanco comprou o mineiro Banco Nacional, que iniciou a sua história como Banco Nacional de Minas Gerais, fundado em 1944 pelo empresário e político José de Magalhães Pinto. Depois de criar a União Democrática Nacional (UDN), de ser deputado estadual e governador de Minas, de ter sido um dos principais artífices do golpe militar de 1964, sua fortuna se multiplicou e incorporou mais seis bancos em 1972, criando assim o Banco Nacional S/A, com sede na capital mineira.

No jogo global, “os bancos brasileiros ainda são anões em terrade gigantes”. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), se os cinco maiores bancos privados brasileiros se fundissem, formariam apenas o 44ºmaior banco do mundo, com ativos de US$ 400 bilhões. O Citigroup, maior banco domundo, por exemplo, tem ativos estimadosemUS$2 trilhões, praticamente o dobro do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O Bank of América, segundo colocado, tem ativos de US$ 1,5 trilhão, seguido de perto pelo JPMorgan, com US$ 1,4 trilhão.