Para o analista da HH Picchioni, Juliano Lima Pinheiro, a marca de 60 mil pontos é elevada se comparada com o desempenho de 2002, quando a bolsa paulista registrou 9 mil pontos. Para 2008, quando se espera atingir os 75 mil pontos, o atual patamar é baixo.
Na opinião de analistas, o otimismo justifica-se pelo fato de a escalada quase constante do índice, desde 2004, basear-se numa combinação de fatores relativamente duradouros, tanto externos quanto internos. Além disso, eles enxergam como próxima a possibilidade de o Brasil obter o "investment grade", a recomendação das agências internacionais de que é seguro investir no país. Isso, desde que nenhuma turbulência avacalhe.
Para o analista da Geraldo Corrêa Corretora, Alberto Mendes, a crise do subprime não acabou. Contudo, ele avalia que apesar de não estarmos imunes, estamos mais maduros. O mercado brasileiro foi o que reagiu de forma mais rápida às baixas amargadas em agosto e as perspectivas são ainda melhores.
O presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais de Minas Gerais (Apimec-MG), Paulo Ângelo Carvalho de Souza, descartou a possibilidade de uma "bolha". Ele disse que estamos atravessando um bom momento da economia brasileira, onde cada vez mais empresas estão abrindo capital e o número de investidores também está em expansão.
A Bovespa realmente está se tornando uma bolsa de um país estável, onde as empresas vão buscar capital e as pessoas vão buscar sua poupança. Para se ter uma idéia, ao final de agosto, a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) contabilizava 284.005 contas de investidores pessoa física.
Um dica unânime dos analistas: o investidor pessoa física deve voltar as atenções para os indicadores das empresas e não para o sobe-e-desce da bolsa. "O trader, aquele que compra e vende ações diariamente, com o objetivo de maximizar ganhos, tem que tentar vender na alta e comprar na baixa. Mas o investidor comum tem que ter planejamento, disciplina e visão de longo prazo", me disse o presidente da Apimec. Para o Paulo Souza, o ideal é observar os indicadores das empresas das quais se pretende investir.
A presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças de Minas Gerais (Ibef-MG), Marisa Maldini, ponderou que se a pessoa não investiu até o momento, é preferível esperar mais um pouco. Entrar na bolsa na alta pode reduzir a possibilidades de ganhos mais altos.