segunda-feira, 8 de outubro de 2007

"Como tirar proveito da guerra dos bancos"

Saiu na Revista Exame: A atual oferta de crédito dá força ao cliente na negociação com o gerente. Se não conseguir o que quer, é só trocar de banco

Para boa parte da classe média brasileira, o sonho de financiar a compra da casa própria ou trocar o imóvel por outro melhor era, até pouco tempo, exatamente isso: um sonho. Entre o desejo de comprar e a assinatura do contrato havia algumas barreiras que pareciam intransponíveis - juros altíssimos, prazos de pagamento exíguos e uma lista sem fim de exigências. Esse quadro mudou de forma radical nos últimos dois anos com a disputa acirrada dos grandes bancos por novos mutuários.

No Bradesco, por exemplo, os juros de empréstimos para imóveis acima de R$ 350 mil, que eram de 18% mais a taxa referencial (TR) em 2003, caíram para 15% em 2004, 12,5% em 2006 e hoje estão em 12%, sempre acompanhados da TR. O banco, que antes aceitava que o mutuário comprometesse no máximo 25% da renda, ampliou esse limite para 30%.

Além de melhorar as condições de produtos já existentes, alguns bancos decidiram partir para a inovação. O Santander criou, em 2005, o primeiro financiamento sem a correção da TR, com a taxa fixa de 21% ao ano. Desde então, foi seguido por várias outras instituições e, hoje, a menor taxa fixa praticada no mercado é 12,5%.

A última notícia positiva para quem pretende comprar um imóvel financiado veio em agosto, quando a Caixa Econômica Federal anunciou que aumentou o prazo de pagamento dos financiamentos para 30 anos, o dobro do praticado pelos bancos até três anos atrás.

Neste momento, o Unibanco está com a melhor taxa do mercado para empréstimos de 20 anos nos imóveis de até R$ 300 mil. Os juros são equivalentes à TR mais 10,9% ao ano, enquanto Bradesco e Caixa Econômica Federal cobram TR mais 11,5%. À primeira vista, a diferença pode parecer irrisória, mas na ponta do lápis representa uma economia de R$ 10 mil no total a ser pago.

Agora, os interessados têm a chance de pesquisar, comparar e, se for o caso, trocar de banco. Mas, apesar de toda essa briga dos bancos, algumas pessoas ainda desperdiçam a oportunidade de buscar as melhores taxas e prazos. "O ideal é procurar um imóvel e ao mesmo tempo escolher o banco que oferece as melhores condições", diz Paulo Celles, dono da Paulo Celles Imóveis, uma das maiores imobiliárias de Curitiba.

A compra de um imóvel é, para a maior parte das pessoas, um momento especial. A troca de endereço envolve, geralmente, uma tentativa de aumentar o conforto do dia-a-dia e, não raramente, serve para comprovar a ascensão social da família. Todo esse investimento emocional sofre um baque quando a pesquisa das melhores taxas, prazos e condições de financiamento é deixada para a última hora, no momento em que o imóvel já está escolhido. Nesses casos, em razão do temor de perder o negócio, é comum o comprador contratar o banco no qual já tem conta, não necessariamente o que tem as melhores condições de crédito.