sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Dia das Crianças: hora de investir em edução financeira

O índice de crianças que influenciam fortemente as compras da família aumentou 10 pontos percentuais entre 2005 e 2007, passando de 42% para 52%, de acordo com um estudo realizado pela TNS InterScience.

E segundo a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), é diante da televisão que as crianças estão mais vulneráveis aos apelos consumistas: o tempo dedicado a esta atividade supera em 50% o das demais, como brincar, ler e usar o computador.

O Dia das Crianças é uma ótima data para orientar os filhos a respeito do consumismo. É muito importante ensinar as crianças avaliar e escolher aquilo que realmente querem ou precisam comprar. Já que elas participam dos gastos familiares, devem saber quanto custam seus desejos e o que poderia ser comprado, realmente importante, com aquele valor. É bem legal comparar despesas.

Ainda não sou mãe. Mas, acredito que a tarefa da educação financeira não deve ser nada fácil. É por essa razão que o economista Gustavo Cerbasi, que escreveu “Casais Inteligentes Enriquecem Juntos”, publicou recentemente o livro “Filhos Inteligentes Enriquecem Sozinhos”.

Você já deve ter pensado que sua vida poderia ser muito mais próspera hoje se, desde cedo, tivesse aprendido a lidar com o dinheiro. Nesse sentido, o que se pode fazer pelas crianças? Cerbasi apresenta atitudes simples e ferramentas eficazes que podem ser utilizadas para que elas adquiram uma postura bastante saudável em relação ao dinheiro.

Conheço uma história interessante de como iniciar a criança até mesmo ao mercado de ações. Uma tia não sabia o que dar de presente para seus sobrinhos. Um gostava de replicas de aviões e outro de máquinas e equipamentos pesados. Resolveu dar para eles, com o aparato da mãe, ações da Embraer e da Weg. Ou seja, agora eles têm aviões e máquinas de verdade, ou pelo menos, uma pontinha das empresas dos setores. E o mais legal, eles passaram a acompanhar o desempenho dos papéis, se embrenhando no mercado de capitais.

Aproveito para alertar aqueles que adiam a decisão de guardar dinheiro para os filhos porque acham que não podem contribuir significativamente. É um erro pensar assim. Hoje em dia já é possível investir com pequenas quantias. O segredo não é o valor, mas sim a regularidade e o prazo no qual mantém o dinheiro aplicado.

Veja esse cálculo: Supondo que seu filho tenha dois anos, poupando R$ 25 todos os meses, quando seu filho atingir 18 anos, você terá juntado R$ 10 mil, assumindo um investimento conservador, com rendimento médio de 0,7% ao mês. Mas, se esperar até que o seu filho comece o colegial para começar a poupar, então, para juntar R$ 10 mil, terá que economizar R$ 250 por mês, ou dez vezes mais.

Se você acha que não terá dificuldade para economizar R$ 250 por mês, nesse caso, quando seu filho atingir os 18 anos, terá juntado pelo menos R$ 100 mil. Quantia que daria para pagar a faculdade, estudos do exterior e até mesmo um pequeno apartamento.

Uma forma de fazer isso é por meio da previdência privada, caso o objetivo seja realmente de longo prazo, de pelo menos uns 10 anos. E tudo indica que tem muitos pais fazendo isso. De acordo com a Federação Nacional da Previdência Privada, as captações em julho atingiram R$ 2,385 bilhões, 31,41% a mais que no mesmo período do ano passado.

Com a proximidade do Dia das Crianças, as instituições financeiras aproveitaram esse interesse e lançam cada vez mais novos produtos e promoções, para atrair o público que quer garantir um bom futuro para filhos, sobrinhos e netos.

O Itaú, por exemplo, lançou o First FlexPrevi Balanceando V40, produto nas modalidades VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) e PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) direcionado para os clientes com perfil mais arrojado. Isso porque oferece diversificação nas aplicações a longo prazo, com 40% dos recursos em renda variável - ações representativas do Ibovespa.

Já a BrasilPrev Seguros e Previdência lançou uma campanha promocional para alavancar as vendas do plano BrasilPrev Júnior, destinado a crianças e adolescentes com idade entre zero e 21 anos. A cada aporte de R$ 100, ou múltiplo, novos clientes e titulares de planos de previdência PGBL ou VGBL terão direito a um cupom para concorrer ao sorteio de prêmios em barras de ouro.

Por falar em sorteio, cuidado com os títulos de capitalização. É a maior roubada! Com a queda das taxas de juros, os bancos precisam compensar o menor resultado financeiro. E, uma das formas, é aumentar o lucro com a venda de títulos. Coitado dos funcionários que precisam bater meta, se não enganando, omitindo muitas informações sobre o que estão vendendo aos seus clientes.

A maior parte dos planos de capitalização não é favorável a quem compra e nem deve ser considerada um investimento. Normalmente, esses planos são debitados em conta corrente e o cliente concorre a prêmios. No final do plano, o valor investido é devolvido com correção pela TR, que não rende quase nada, menos de 1% ao ano, ante 11,3% da Selic média prevista para este ano, que remunera os fundos de investimentos tradicionais, de renda fixa ou referenciados DI. E na capitalização você ainda tem que pagar o valor reservado para concorrer aos prêmios anunciados. A chance de você ser sorteado é quase a mesma de ganhar na loteria.

Se a justificativa é a facilidade, por ter débito em conta, além da previdência privada você tem a opção de aplicar em fundos de investimento. É uma opção para qualquer tipo de bolso. Você pode fazer essa aplicação no próprio caixa eletrônico de seu banco e programar, por exemplo, aplicações mensais. Consulte quais são os fundos que seu banco disponibiliza, analise o regulamento, a performance e as taxas cobradas e escolha um. Como dizem os especialistas, não se preocupe com a volatilidade da bolsa dia pós dia. Se a sua intenção é investir no longo prazo, concentre no desempenho da empresa na qual você quer investir.

Os fundos de investimento têm isenção de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e CPMF (se os recursos forem originários de uma conta-investimento) e o Imposto de Renda só incidirá sobre o rendimento no resgate das cotas.

Enfim, melhor que pensar em dinheiro é fazer a festa no Dia das Crianças. Divirta-se!