segunda-feira, 22 de outubro de 2007

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a holding, abre capital nesta semana

Nesta terça-feira (23) termina o prazo para o investidor fazer a reserva de compra das ações ordinárias da distribuição secundária. Todo o processo será encerrado, conforme o cronograma, até o dia 30 de novembro. Analistas estão otimistas quanto à operação e consideram os papéis um bom negócio. A principal razão é a perspectiva positiva para a economia brasileira e o conseqüente avanço do mercado de capitais.

"O mercado de capitais vem mostrando um crescimento agressivo e ascendente. Como o lucro é baseado principalmente em emolumentos (taxas pagas na compra e venda de ações), a tendência também é de valorização das ações", afirmou o especialista em mercado de capitais e professor da PUC Minas, Antônio Carlos Bertucci. Ele destacou que o papel é indicado, sobretudo, para a diversificação de carteiras de investimentos.

Os dados da Bovespa confirmam o crescimento do mercado. Neste ano até o dia 18 de outubro, a bolsa registrou 28,260 milhões de negócios, alta de 30% sobre o verificado em todo o ano de 2006 (21,521 milhões). Em 2005 o número de negócios foi de 15,499 milhões e, em 2004, 13,384 milhões. Nos últimos três anos, a média de volume financeiro diário quase quadriplicou. Foi de R$ 1,221 bilhão em 2004, R$ 1,610 bilhão em 2005, R$ 2,434 bilhões em 2006 e R$ 4,533 bilhões em 2007 até a última quinta-feira.

"O mercado cresceu bastante e isso gera confiança. Além disso, o cenário é de: juro cadente, avanços institucionais, melhorias em governança corporativa e entrada maciça de pequenos investidores", afirmou o especialista em aplicação financeira e professor da Faculdades Ibmec, Marcus Renato Silva Xavier. Segundo ele, a volatilidade não é empecilho e mesmo que haja impacto, o mercado está mais maduro.

Outra prova disso é o número de IPO (Initial Public Offering, oferta pública inicial na sigla em inglês). Neste ano, 53 empresas lançaram ações na Bovespa. É mais que o dobro do registrado em 2006 (26) e bem superior ao verificado em 2005, quando somente nove companhias abriram capital. O sócio-gestor da administradora de recursos DLM Invista, Daniel Castro, disse que o número de CPFs registrados na Bovespa deve crescer entre 40% e 50% ao ano.

"O número de investidores tendem a crescer significativamente, e com consistência, por uma série de questões, como queda da taxa de juros, baixa rentabilidade da renda fixa, insegurança quanto à aposentadoria, entre outros fatores", observou Castro. Ele chamou atenção ainda para o fato de que novas práticas devem ser colocadas no mercado, principalmente no que se refere ao custo para as corretoras.

Castro destacou ainda que esse deve ser o maior IPO de todos os tempos. "O mercado estima que será um negócio da ordem de R$ 5 bilhões e que a Bolsa valeria entre R$ 11 bilhões e R$ 15 bilhões hoje", exemplificou.

O preço inicial dos papéis será definido somente no dia 24 de outubro, mas os bancos Credit Suisse e Goldman Sachs, coordenadores da operação, estimam que o valor por papel seja fixado entre 15,50 a 18,50 reais. Serão colocadas à venda mais de 250 milhões de ações ordinárias, podendo ser oferecido, ainda, um lote suplementar com mais 37 milhões ações. O valor mínimo de investimento será de 3 mil e o máximo de 300 mil reais.