domingo, 14 de outubro de 2007

O índice Big Mac, que compara o poder de compra em todo o mundo todo, reitera que o real está sobrevalorizado frente o dólar

Saiu na Exame: Nas últimas semanas, os exportadores brasileiros ganharam um argumento improvável em sua luta por uma taxa de câmbio mais competitiva - o preço do Big Mac, carro-chefe da rede de lanchonetes McDonald's. O sanduíche é usado para compor uma estranha, e surpreendentemente bem-sucedida, fórmula para tentar aferir qual deveria ser o verdadeiro valor do câmbio em vários países, independentemente dos humores de curto prazo do mercado.

No início apenas uma brincadeira dos editores da revista britânica The Economist, o índice Big Mac, inventado há mais de 20 anos, acabou se firmando como um bom indicador de longo prazo para as diferentes moedas. A idéia é que, ao comparar o preço do sanduíche mais popular do mundo, produzido exatamente da mesma maneira e com os mesmos ingredientes em 120 países, é possível captar o valor correto de cada moeda.

Desde o início de 1999, quando o câmbio brasileiro passou a flutuar livremente, o índice Big Mac vinha mostrando um dólar excessivamente caro, especialmente durante os períodos de maior instabilidade no Brasil. Do início de 2007 para cá, no entanto, o Big Mac começou a avisar o oposto: que o real é que está valorizado. A mensagem ganhou força com os recordes de valorização atingidos nas últimas semanas.

Segundo o índice mais recente, o correto seria o dólar custar 2,02 reais - e não 1,83, como chegou a valer no dia 28 de setembro. A diferença significa que o real, naquela data, estava 10% mais valorizado que o ideal apontado pelo Big Mac.

O Big Mac custa US$ 3,41 nos Estados Unidos e R$ 6,90 no Brasil. No dia 28 de setembro, o dólar estava cotado a R$ 1,83. Por essa cotação, o sanduíche feito no Brasil valia US$ 3,77, ou seja, 10% mais do que os 3,41 dólares cobrados nas lanchonetes nos Estados Unidos. Portanto, o valor do dólar, segundo o índice, deveria ser 10% maior, ou R$ 2,02.