Ex-ministros criticaram nesta semana as três circulares anunciadas pelo BC na sexta-feira para conter a desvalorização do dólar. Para Luiz Carlos Bresser e Delfim Neto as medidas são positivas, porque mostram realmente a importância do fluxo de capitais, mas não devem inverter a trajetória de queda do dólar.
Delfim atribui a desvalorização do dólar frente ao real ao aumento dos preços dos produtos exportados pelo Brasil, que proporciona uma entrada maior de dólares, e à inversão do saldo da balanço do setor petrolífero.
Bresser, que acredita que a principal medida para frear a valorização do real seja o corte de juros, disse nesta semana que o Brasil convive com a "doença holandesa" (também chamada de maldição dos recursos naturais), em decorrência da série de produtos exportáveis com alta rentabilidade.
Para ambos, a trajetória do dólar deve se manter em queda enquanto as commodities estiverem valorizadas.
Ex-ministros também criticaram as medidas de proteção aos setores prejudicados pela sobrevalorização cambial. Nesta semana eu entrevistei Paulo Haddad, ex-ministro do Planejamento, e ele frisou que o dólar barato veio para ficar por causa do excesso de liquidez internacional e o potencial de exportação do Brasil. E, justamente por esses motivos, não adiantam medidas paliativas. Ele defende mudanças urgentes no sistema tributário, corte mais substancial na Selic, aportes em infra-estrutura e redução dos riscos jurídicos nos investimentos.
Recentemente, também entrevistei os economistas Fabrício Oliveira e Cláudio Gontijo, que já integraram a equipe econômica do governo de Minas. A avaliação deles engrossou o coro.
Interessante mesmo foi uma análise feita, em outra entrevista, pelo presidente do Conselho Federal de Economia, Synésio Batista da Costa. Ele me disse que, quando estão fora do governo, especialistas e autoridades políticas sabem o que deve ser feito. Mas, depois que entram, fantasmas que perambulam por Brasília dominam as lideranças e às impedem de fazer o que realmente é previsto.
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