quarta-feira, 13 de junho de 2007

Cemig lança ADRs em Nova York, em grande estilo

A Cemig lançou na terça-feira novas ADRs (American Depositary Receipts), lastreadas em ações ordinárias (ON), na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse). Dessa forma, a estatal mineira atende um antigo pedido dos acionistas, aumenta a exposição da empresa no mercado internacional, ganha liquidez e, indiretamente, eleva o preço de seus papéis.

Por meio de teleconferência com a imprensa o diretor de RI, Agostinho Faria Cardoso, enfatizou que o lançamento atende a uma solicitação dos acionistas minoritários. Agora eles vão poder ter equivalência entre as duas bolsas e fazer a aplicação mais conveniente. O agora diretor de Finanças da Cemig, Luiz Fernando Rolla, disse que 6% das ordinárias da companhia pertencem a investidores estrangeiros.

ADRs são recibos de ações de companhias, não sediadas nos Estados Unidos, emitido por um banco e custodiado em banco norte-americano. Pode ser negociado nos mercados organizados dos Estados Unidos e, normalmente, é utilizado para captação de recursos no exterior. Rolla disse que, como a Cemig vem apresentando substancial melhoria na qualidade do crédito, bancos estão procurando a empresa e que a “agenda está cheia”.

O que é uma grande vantagem para o programa de investimento da estatal, que dessa maneira consegue captar recursos com taxas de juros bem menores. Rolla reiterou que o programa de investimento da companhia é de R$ 1,5 bilhão ao ano entre 2007 e 2012, sem incluir as possibilidades de aquisições. Entre elas, a Eletropaulo, maior distribuidora de energia da América Latina, caso o BNDES coloque à venda a participação que detém nas empresas brasileiras do grupo norte-americano AES.

Rolla também não descarta aquisições no exterior. Os empreendimentos no Chile já estão em andamento. A intenção da Cemig naquele país é buscar oportunidades de negócios na área de distribuição e geração de energia elétrica. O primeiro passo seria a compra, em sociedade com a empresa paulista Alusa, do grupo Emel, que a companhia norte-americana PPL colocou à venda.

A compra de ativos em outros países e o avanço no mercado de capitais no exterior pode contribuir para a internacionalização da empresa, solidificando ainda mais o desempenho da estatal mineira. Em 2002, antes do governo Aécio Neves, o valor de mercado da Cemig era de R$ 4 bilhões e hoje já atinge R$ 19 bilhões.

A companhia atende mais de 6 milhões de consumidores, possui 53 usinas, somando uma potência de cerca de 6 mil megawatts. No ano passado, a estatal mineira registrou lucro líquido de R$ 1,718 bilhão, resultado 13% maior, não fosse o efeito da receita extraordinária contabilizada em 2005.

O evento na bolsa de NY foi um passo a mais no processo de internacionalização da companhia. Onte, a estatal mineira realizou o Cemig Day, ou seja, a empresa foi o grande destaque ontem na bolsa norte-americana, com direito a bandeira hasteada no edifício da bolsa. Ainda na terça os diretores almoçaram com analistas e investidores e participaram do Closing Bell, tradicional cerimônia de encerramento das atividades do dia. Vale destacar ainda que o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Márcio Lacerda, que substituiu Wilson Brumer, e que também vai assumir a presidência do Conselho de Administração da Cemig, participou de todos os eventos. Eu ainda me pergunto: será que a substituição vai ser boa e continuar trazendo bons resultados para a companhia? Tenho dúvidas.

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