quarta-feira, 16 de maio de 2007

Repercussão da baixa do dólar em Minas

A cotação do dólar rompeu a barreira de R$ 2 e analistas mineiros acreditam que continuará caindo. A justificativa é que o Brasil está cada vez mais atrativo para o investidor estrangeiro, o responsável pela entrada desenfreada da moeda norte-americana. Os juros são elevados, o risco vem caindo e o país está a um passo do tão sonhado investment grade.

Para conter a sobrevalorização cambial, o Banco Central (BC) informou que continuará comprando dólares e, em paralelo, o governo anunciou medidas paliativas, como aumento da alíquota do Imposto de Importação e desoneração fiscal, para alguns setores de mão-de-obra intensiva. Em meio ao imbróglio, o risco de desindustrialização recrudesce, sobretudo diante da combinação baixa do dólar e altos custos de produção.

"A ameaça é real. O câmbio sobrevalorizado dificulta a sobrevivência das empresas tanto no mercado externo quanto no interno, onde ocorre a substituição por produtos importados", afirmou o gerente do Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Carlos Eduardo Abijaodi.

É o que está fazendo a Suggar Eletrodomésticos, instalada em Belo Horizonte. Diante da perda de competitividade, a empresa decidiu no início do ano passado importar produtos da China. "Naquela época a cotação do dólar era R$ 2,40. Hoje, é quase 20% menor. Ou seja, a tendência é de ampliar as compras", afirmou o presidente da Suggar, José Lúcio Costa. Atualmente, os importados representam 25% do total comercializado pela fábrica, o que resultou na demissão de 100 pessoas. Agora, o quadro é de 900 funcionários.

"Quando a indústria exporta, não paga imposto para o governo. Ao contrário, quando importa, o cipoal é enorme. Este é, para mim, um dos principais motivos pelo qual a União não toma nenhuma medida significativa. A intenção é arrecadar mais, investir em projetos sociais e ganhar voto. Assim, fecha-se o ciclo", criticou Costa. Ele sublinhou que o empresário teria condições de trabalhar diante de um dólar cotado a R$ 2, não fosse o alto custo Brasil.

O diretor-presidente da Junqueira Compressores e Máquinas Ltda, José Maria Junqueira, concorda. Para ele, aliás, as medidas de proteção, são emergenciais. "A desoneração fiscal e o aumento da alíquota do Imposto de Importação de máquinas e equipamentos são fundamentais. Mas, simultaneamente, é preciso pensar no longo prazo. Dessa forma, o ideal é propiciar a redução do custo de produção", avaliou o empresário.

A empresa produz compressores a gás natural de petróleo, usados nos postos de gasolina para abastecer automóveis. Diante da concorrência, sobretudo dos países do Mercosul, resolveu fazer uma pesquisa na Argentina que apontou a disparidade advinda da sobrevalorização cambial. "Se for vendida uma peça de US$ 1 no Brasil, recebe-se R$ 1,98 por ela. Se a mesma for vendida na Argentina, o empresário de lá receberia cerca de R$ 3", exemplificou Junqueira.

Para a economista Rita Mundim, a desvalorização do dólar frente o real também provoca efeitos positivos, como o controle da inflação (cai o preço de commodities) e atualização tecnológica. No entanto, o cenário só seria realmente bom se o governo reduzisse o custo financeiro (juros), trabalhista e tributário.

"A tendência é a continuidade da queda. E, se o Banco Central não intervir, o dólar vai despencar sem limite. O risco das empresas quebrarem é grande porque poderá haver uma explosão de importados. No curto prazo afeta as empresas, mas sabemos que no médio prazo o mercado se equilibraria", acrescentou a presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças em Minas Gerais (Ibef-MG), Marisa Maldini Penna.

Um comentário:

Anônimo disse...

O junqueira nao sabe oq q ta falando nao, ta olhando so pro umbigo dele...