Na semana passada o Copom reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. Agora, a Selic é de 11,25% ao ano e os especialistas e lideranças empresariais acreditam que ela deve encerrar o ano em 10,75% ou 11%. Paras as fontes das quais conversei para a reportagem do Diário do Comércio não há tanta diferença mais em 0,25 porque a consolidação da trajetória de queda, iniciada em setembro de 2005, já vem apresentando efeitos positivos. O principal? Aumento do consumo, que por sua vez pressiona as indústrias, que resolvem investir, que geram emprego e renda. Ou seja, foi dada a largada para um ciclo positivo.
Por outro lado, algumas fontes alertaram para as atuais condições de consumo. Com maior disponibilidade de crédito, empresas estão dilatando o prazo de pagamento de um produto, mas nem sempre aplicando taxas de juros coerentes. Entretanto, a grande parte dos brasileiros não querem saber o valor final da compra, e sim se a prestação cabe em seu bolso. Por isso, o endividamento da população também não pára de crescer.
Um exemplo muito claro é o da venda de veículos. O consumidor já pode comprar um carro para pagar em 84 meses (sete anos). É o prazo mais longo já disponível para essa modalidade de financiamento. Além disso, pode começar a pagar no Natal, no Carnaval, com juros de menos de 1% ao mês, dar zero de entrada, etc. Propagandas na televisão e nos sinais de trânsito te ajudam a comparar.
Para exemplificar, no caso da Ford, um modelo Fiesta 1.0, que custa R$ 28.490, pode ser adquirido com R$ 1 mil de entrada e 84 parcelas de R$ 614. Ao fim do prazo, porém, o consumidor terá pago quase dois carros, ou R$ 52.576. Se a entrada for de 40% do valor à vista (R$ 12.861), as prestações baixam para R$ 349 e o valor ao fim do financiamento será de R$ 42.177. O juro, nesses casos, é de 1,68% ao mês.
Esta aí a dica. Evite, ao máximo que puder, comprar um carro ou qualquer outro produto a prazo. Comprar à vista sempre é um bom negócio. Outro alerta: dividir o pagamento com juros zero seria uma imensa vantagem, caso os juros não estivessem embutidos no preço final. Então, pechinche e faça as contas.