sábado, 5 de janeiro de 2008

O analista financeiro do século XXI, segundo Roberto Teixeira da Costa, primeiro presidente da CVM

O Prêmio APIMEC Minas – Mercado de Capitais, referente ao ano 2007, entregou Prêmio Especial à Roberto Teixeira da Costa, o primeiro presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De 1977 até dezembro de 1979, Teixeira da Costa instalou, organizou e implementou a entidade responsável pela disciplina do mercado de capitais nacional. Veja parte se seu discurso, dirigido aos analistas e investidores:

“O analista financeiro do século XXI tem que ter uma formação e visão globalizante, para melhor situar suas recomendações no contexto onde aquela empresa opera. Além disso, os padrões contábeis de hoje são muito mais exigentes. A companhia será melhor apreciada se seus padrões contábeis estiverem dentro das normas do IASB – International Accounting Standards Board (IFRS) - ou GAAP – Generally Accepted Accouting Principles (FASB). Agora, a decisão da SEC de aceitar que as empresas negociadas em NYC possam adotar o sistema IFRS sem reconciliações irá favorecer a adoção do IFRS, inclusive pela decisão do BACEN e da CVM, que optaram por esse padrão contábil.

Se já não bastassem as complexidades do mundo globalizado para tornar o trabalho dos analistas bem mais desafiante, novas e justificadas preocupações vieram a se associar. Refiro-me a questões como: essa empresa relaciona-se com o meio ambiente? Como são suas relações com os seus funcionários? Como trata seus prestadores de serviços? Como atende seus consumidores? É sensível às demandas e questionamentos por eles apresentados? E seus fornecedores, como a vêem? Como planeja sua estratégia de crescimento? Está simplesmente centrada na questão dos resultados de curto prazo ou realmente olha para a frente e procura tomar decisões e estar atenta ao que vai acontecer a longo prazo? É uma empresa de comportamento ético? Tem códigos de conduta?

Há também que prestar atenção no valor oculto das empresas, tal como o valor de sua marca, capacidade de inovação, estratégia competitiva de longo prazo e, também, eventualmente, se existem passivos que não são claramente identificados.”

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