A expectativa dos investidores brasileiros em torno da estréia histórica da BM&F no mercado de ações transformou-se em valorização dos papéis da instituição, no pregão da Bovespa. A demanda pelos papéis foi tão grande, que chegou a congestionar o sistema de negociações eletrônicas da Bovespa, o Mega Bolsa, e atrasou o início do pregão em mais de uma hora. Ainda assim, a valorização do papéis da BM&F não chegou sequer à metade da registrada no primeiro dia de pregão dos papéis da Bovespa, há cerca de um mês.
Negociadas sob o código BMEF3, as ações da BM&F fecharam o dia com valorização de 22%, ao preço de 24,40 reais por papel - o preço inicial definido era de 20 reais. A oscilação durante o dia atingiu o pico de 30%.
A trajetória da curva de valorização refletiu a ansiedade dos acionistas pela possibilidade de ganhos semelhantes aos obtidos com as ações da Bovespa Holding, que em seu primeiro dia de negociação, em 26 de outubro desse ano, subiram 52% - dos 23 reais fixados inicialmente chegaram a 35,20 reais por unidade.
Na esteira do interesse pela Bovespa, as ações da BM&F provocaram uma corrida às corretoras, nas últimas semanas. Além das quase 300 mil pessoas que já tinham contas cadastradas para comprar e vender ações, os bancos receberam nas últimas semanas vários pedidos de interessados em começar a operar na Bolsa de Valores. As estimativas extra-oficiais, por sua vez, apostam que o número de cadastrados para levar ações da BM&F chega a 280 mil, quatro vezes mais do que os registrados na oferta da Bovespa.
A demanda dos investidores seguiu elevada mesmo após a determinação da BM&F de que cada pessoa física que reservou ações no IPO terá direito a apenas 91 papéis da empresa, correspondentes a um valor total de 1.820 reais. O montante foi considerado muito baixo, uma vez que o valor mínimo de reserva de ações havia sido fixado em 5 mil reais, ou seja, mais de 150% maior que o que realmente será comprado.
No IPO, a Bolsa de Mercadorias & Futuros havia informado que destinaria entre 10% e 20% de suas ações para os investidores não-institucionais. O percentual definido ainda não foi divulgado, mas é provável que o volume de ações reservado às pessoas físicas tenha ficado mais próximo do piso de 10%. Isso aconteceu no IPO da Bovespa, que teve mais de 60 mil investidores pessoas físicas. No entanto, na Bovespa cada um conseguiu até R$ 12.098.
Além das pessoas físicas, a BM&F também havia se comprometido a destinar até 1% das ações a funcionários de corretoras. Cada empregado teve seu pedido integralmente atendido em até 5 mil reais ou 250 ações. Acima desse valor os pedidos foram atendidos em 40,347% do valor reservado.
Fonte: Revista Exame
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